Maia, De Dome e Cláudio Valério

Francisco Bittencourt

Publicado no Jornal Tribuna da Imprensa em 9 de outubro de 1978

 

“Closes frios e rígidos”, é como Cláudio Valério Teixeira define seus desenhos extremamente violentos e precisos de seres humanos no impacto com a violência. Realizando sua primeira individual agora – de 12 a 31 de outubro na Galeria Rodrigo Melo Franco de Andrade, da FUNARTE – Cláudio Valério surge, ainda muito moço, como uma das vocações mais sérias da arte brasileira atual. O artista já é conhecido de salões e coletivas, sempre trabalhando com as emoções humanas no momento da tragédia, seja pela violentação (?) de sua individualidade, seja pelo confronto com a hora definitiva da morte. Seus desenhos, alguns imensos, criando o movimento da queda de um corpo, são verdadeiros retratos psicológicos de seres flagelados, onde não há espaço para a ilusão. Sei que certos críticos já aconselharam o artista a “pentear” suas vítimas, para torná-las mais aceitáveis pelo distinto público. Felizmente e sugestão não foi aceita e agora temos, nesta exposição a violência que existe no mundo e que procuramos disfarçar, mas que para Cláudio Valério é uma realidade de que não se deve fugir.